domingo, 4 de novembro de 2012

Escombros

Apesar de imaginar Castelos e Mares -
continua a tentar juntar os Escombros
de uma antiga construção e brincar na Lama.

Fica imunda de Lembranças
e corta-se nos Ferros e Cacos de Vidro.
Mas o prazer excruciante que a acomete -
quase compensa-lhe a dor
de não ter mais o abrigo.

É como se - todos os dias -
fizesse um Castelo de Areia -
só pra ver a Onda levar.

Assim - aos poucos - persuade a si mesma
De que não há Escolha -
A não ser deixar a Praia; afastar-se do Mar.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Leitura

A Leitura é um ato cabalístico, que põe medo em quem não a conhece, e ao longo do tempo foi reprimida por seu poder. Por sorte, sempre houve quem soubesse como usá-la, enquanto outros eram atraídos pela beleza das imagens esculpidas. Afinal, é mais fácil amar as Cores – são moldáveis; ajustam-se facilmente ao gosto dos olhos. Enquanto as Palavras são ariscas – barulhosas; difíceis de manusear. É preciso tato para lidar com elas. Podem parecer sempre as mesmas, mas variam em peso e formato – sendo capazes de atingir os mais variados graus de significância. Seu peso difere com o sentimento e o formato não passa de máscara – para amenizar o impacto de sua verdadeira face ou dar uma prévia representação daquilo que ela carrega. 
Entristece-me ver o que o mundo faz com elas. Agitam-nas por aí a torto e a direito, contaminando-as com temas infetos. E o que posso fazer? 
Nada. A não ser, continuar aprendendo, continuar convivendo com elas. Elas e a insanidade do mundo – a sua falta de tato. E talvez, deixar que saibam como as vejo – as Palavras: um inimigo de respeito, com o qual eu sei negociar. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desatino

Quem seria louco o bastante 
Para sair na chuva 
Assim, sem proteção – 
Sem para-raios? 

Para andar na corda bamba 
Mesmo sem saber – 
Descalço, no alto; 
Sem ter aonde segurar?

Quem seria tão insano 
A ponto de se deixar sangrar 
Por olhos ariscos 
Que devoram almas? 

Quem seria louco o bastante 
Para entregar os lábios 
Para os lábios desse alguém – 
E em seu peito descansar? 

Quem seria assim desatinado 
A ponto de deixar as mãos 
Perderem-se apaixonadas 
Naquele cabelo desarrumado? 

Quem seria tão insano 
Para enroscar-se em abraços, 
E sem embaraço – 
Entregar-se nos braços de alguém assim? 

Seria um apaixonado – 
Um pobre desavisado; 
Um louco desatinado 
Que ante um sorriso deixou-se cair. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Tormenta

- O que quer?
- Tormenta. A paz excessiva que tenho me sufoca!
- E que tipo de tormento deseja?
- O mais puro deles: amar. Não há nada que instigue, avive e angustie tanto quanto amar. Querer cuidar de alguém. Tê-lo só para si (e pensar em assassinar - com requintes de crueldade - cada infame partícula que dele se aproximar). Penetrá-lo com olhos quentes; fundir-se nele a cada toque. Tê-lo. Desejando que ele a queira. Esperando que a tenha. Tê-lo - mesmo que só, em pensamento.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Incidente

Pensei em escaquear o sentimento para me livrar dele aos poucos – peça por peça. Mas perdi o jeito de traçar e cruzar as linhas de corte. Assim sendo, dobrei-o e guardei-o num armário trancado à chave, para que não incomodasse ocupando tanto espaço – pois se aberto e estendido por sobre o peito, não escusava um só canto, aquecia até o que não o tocava e dele estava longe.
O coração desordeiro eu segurei com firmeza e levei à canastra. Porém, a diligência era fraca e por pouco deixou-o escapar. Distraída que sou, não o vi esconder-se no quintal e nem percebi quando entrou pela janela. Não fosse o estrondo que fez ao arrombar o pequeno armário no sótão, nem saberia dizer como foi que de repente me vi às voltas com tantas reminiscências.
Ao descer as escadas, parou diante de mim e encarou-me com o semblante determinado que eu bem conhecia. Com calma, desdobrou o sentimento que carregava nas mãos, agitou-o no ar – uma, duas, três vezes – para que se abrisse totalmente e embrulhou-se nele. Deu-me as costas e saiu porta afora – abandonando seu abrigo, deixando-me aflita. Saberá ele como voltar?

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Displicência

Creio que a Displicência 
será sempre meu melhor 
- e mais triste - Disfarce. 
É como fechar os olhos e adormecer. 
Vai ver que assim - dormindo -, 
os olhos não são de ninguém.


Mas ainda tem o Sonho. 
E depois a gente acorda cansado - 
com o mesmo Desejo dantes -,
sem saber como levantar.
Eu bem queria acordar. 
Poderia dar-me a mão?


terça-feira, 22 de maio de 2012

Jugo

A Dúvida - quase Insana - 
Não enobrece a alma. 
A Sede não é parca. 
A língua arde - seca. 

Minto a Cor dos olhos - 
Para não enlouquecer 
- O Silêncio - é meu amigo - 
Sufocante - instigante. 

Mas no conflito - intenso - 
Entre o Medo e o Desejo - 
Perco as forças que me calam. 

E no instante do ataque 
Rogo ao Siso que me salve - 
Enquanto o Jugo se desfaz.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Estratégia

Não se pede permissão para beijar uma mulher. Você a beija. Depois, pede que lhe perdoe a insolência, para que então ela enxergue no falso arrependimento seu real desejo. E assim sendo, se apaixonada, retribua-lhe o gesto – abrindo-lhe os braços e o maior dos sorrisos.

sábado, 21 de abril de 2012

Sonhos

O que fazer com os sonhos?...
Porque me ponha medo
não quer dizer que não os queira realizar!
Muito do que desejo me causa temor.
E nesse caso – quase perdido –
só de pensar – arquejo
maldizendo o caloroso imaginar por isso.
Não pretendo analisar merecimentos.
Talvez, tais delírios, sejam apenas
o que outrora – no inicio – fora fadado a mim!

terça-feira, 6 de março de 2012

Rubor

Fite meus lábios com devota atenção – neles existem coisas gravadas que poucos poderão perceber. Guarde meus olhos com terna aflição – veja como brilham quando chegas a mim assim – como quem nada quer e tudo deseja. Prenda-me as mãos e segure-me com a amena força de quem pretende – mas graceja. Roube-me os dentes, arranque-me lágrimas – com faces, truques e falas. Enfim, observe-me – agrada-me o rubor de saber ser amada.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cultivo

"Você é responsável por aquilo que cativa.”
Ao ouvirem isso as pessoas se encolhem. Estremecem diante dessa palavra pesadamente ameaçadora: responsabilidade. Pode ser que conquistem coisas que não desejam. E é difícil zelar por algo que não nos apraz ou cuidar de quem não queremos. Então, por que nos prender a isso? Por que seguir esse mandamento?
Mesmo não gostando das pessoas, devemos respeitá-las pelo simples fato de sermos semelhantes. É instinto involuntário desejar aquilo que nos agrada perto de nós; cercar de cuidados tudo o que amamos (mesmo que não sejamos correspondidos); é regra geral ser sensível com o ser amado. Mas em nossa pressa, esquecemos que também é necessário ser sensível com quem não amamos. Assim o mundo tornou-se egoísta. E nós somos o mundo; por isso tantos sofrem.
É essa falta de amor correndo nas veias que nos atrapalha. Que nos causa medo e confusão, e nos leva a fazer belas burradas.  Por falta de paciência, por falta de compaixão.
Cada palavra pode se ramificar em vários conceitos e atingir diferentes graus de significância. Por isso é necessário ouvir com atenção e falar com calma. Lembrando que o nosso sucesso é o sucesso do mundo. E a extensão da sensibilidade a todos os seres é o ponto que deve ser alcançado para que aconteça uma grande mudança; o cultivo dos bons sentimentos, o exercício de amor e paz.
Nem toda relação precisa ser “cor-de-rosa”, nem todo amor precisa ser apaixonado. Ninguém precisa ser perfeito. Basta haver respeito.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vírus do Amor

Um sorriso bobo estampado na face, olhos brilhando, boca seca, coração acelerado, pernas bambas, mãos tremulas, pensamentos distantes; o mundo parece girar a nossa volta – ficamos sem ação.

Todos os sintomas relacionados acima são decorrentes da contração de um vírus. O vírus do amor. Esse tipo ataca o coração de forma incontrolável. Não tente destruí-lo. Por menor que seja, é forte demais (e de certa forma, essencial para nossa sobrevivência).

Depois de contaminado a única alternativa é aceitar a doença e tentar o tratamento. Em alguns casos poderá haver rejeição do remédio durante o processo. Assim sendo, devemos procurar novas alternativas – sem deixar que o vírus morra em nosso coração. Se a doença chegar ao seu estado terminal deve-se lutar até as últimas conseqüências para alcançar a cura. Mas de forma alguma deixe que o vírus morra. Como já disse antes, o vírus do amor é essencial (mesmo com o sofrimento). Sem ele não somos nada.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Muse - Sunburn


"She burns like the sun and I can't look away. She'll burn our horizons. Make no mistake."

O Mar


Despedir-se do mar nem sempre é fácil.
Em suas águas – tranquilas ou turbulentas –
mergulham tantas memórias –
milhares de histórias – desejos –
momentos que se perdem na areia
– em conchas e pedras – em sal.
Longe das ondas ou na espuma que se faz quando elas quebram.

De manhã – afastando nuvens – o sol emerge em esplendor.
À noite – céu e mar tornam-se um só.
Um só caminho.
Com um pequeno barco parece ser possível sair da praia
e logo adiante fazer curva –
subindo ao céu –
alcançando estrelas que estão longe dali,
tocando a lua – luz da maré.

E agora, a estrada – a serra.
Morros tomados por manacás que se destacam em cores distintas.
A certeza de fortes ventos.
E talvez – a sorte de ter a última vista do mar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Febre

Estou lutando – internamente –
mais reticente do que nunca.
Fingindo a força que não tenho –
com um medo insano – sim.

Sofrendo por quem não sei –
se sofre, se chora por mim.
Prendi meu pé a uma corda,
mas apertei demais.

Tanto, que agora não sei como –
quando – desatar os nós.
Dou-me tratos de polé – em vão.

Pois do fundo do meu peito –
à minha pele – algo vem subindo em febre –
a ponto de explodir – e me lançar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Enfrentamento

Por aqui o silêncio – nos meus sonhos, pura balbúrdia!
Na esquina, um enfrentamento de golpes
Incrustados de medo e fúria –
Irremediáveis – irreversíveis.

Ora, o que foi feito de minha raposia?
Apagaram-se os meus sentidos –
Fugiram-me as cores – e a paz.
Porém, cada instinto continua aceso

E precariamente reprimido – o sonho –
O beijo de fonte oblíqua –
Os olhos de cor mutável.

Sim, haverá um ponto de entrega
(talvez por motivo apendicular)
Em que forças maiores farão de mim – 
Senhora de um som qualquer.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não é Bom

Não, não é bom começar um dia com chorando.
Não é bom acordar de um sonho para cair em lamentos.
Não é bom ter ciúmes, não é bom ter medo.
Não é bom alimentar falsas esperanças.
Não é bom ver sentido em coisas que ferem.
Não, não é bom cair!
Não é boa aquela poeira que já foi confete
(são resquícios de algo que não presta mais).
Não é bom mentir e essa verdade não é boa.
E isso tudo é uma loucura e a loucura não é boa!
São pontes de uma viajem, que talvez eu não deva fazer.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Foo Fighters - Best Of You


"I was too weak to give in, too strong to lose. My heart is under arrest again, but I'll break. Everyone's got their chains to break loose."