quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desatino

Quem seria louco o bastante 
Para sair na chuva 
Assim, sem proteção – 
Sem para-raios? 

Para andar na corda bamba 
Mesmo sem saber – 
Descalço, no alto; 
Sem ter aonde segurar?

Quem seria tão insano 
A ponto de se deixar sangrar 
Por olhos ariscos 
Que devoram almas? 

Quem seria louco o bastante 
Para entregar os lábios 
Para os lábios desse alguém – 
E em seu peito descansar? 

Quem seria assim desatinado 
A ponto de deixar as mãos 
Perderem-se apaixonadas 
Naquele cabelo desarrumado? 

Quem seria tão insano 
Para enroscar-se em abraços, 
E sem embaraço – 
Entregar-se nos braços de alguém assim? 

Seria um apaixonado – 
Um pobre desavisado; 
Um louco desatinado 
Que ante um sorriso deixou-se cair. 

2 comentários:

  1. Pobres desatinados...a vida, nos faz assim...
    Belissimo poema advindo de vossa pessoa,
    reluz como ouro suas palavras,
    refletem calma, e sabedoria.
    Só tu mesmo.

    Dan

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    Respostas
    1. Obrigada, meu poeta! Tu sabe' que colaborou pro meu ingresso no mundo da poesia...
      Estou evoluindo aos poucos, e cada vez mais... aprendendo a dominá-las - as palavras, as emoções.
      É maravilhoso saber que causam tal efeito.
      Saudade de conversar contigo, Dan.

      Lo

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