Eu queria ter um coração mais frio e sentimentos um tanto
mais afiados, para ferir sem me queimar. Algo forte o suficiente - que agisse
sobre mim - para que eu pudesse fingir - congelar e não me desmanchar diante
dos seus olhos quentes. E quando o gelo derretesse, tudo seria líquido, fácil de
ser absorvido e se preciso mais tarde, eliminado - esquecido.
Ou então, um coração mais quente e sentimentos flamejantes,
que acendessem minha pele, meus instintos e sentidos diante de você. E que me
queime, eu já não me importaria. Pois eu seria febre. Derreteria você, que
líquido, cairia todo sobre mim - fervendo. E quando se solidificasse outra vez
- sendo agora meu - a única saída para esquecer-te seria quebrá-lo em mil
pedacinhos.
Mesmo assim, em qualquer um dos casos - no fim - sobraria o
fogo ou o gelo de você em mim.
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